10º Seminário de Investimentos e Negócios de Impacto aponta caminhos para fortalecer o ecossistema fluminense
Publicado em 02/11/2026
Encontro reuniu representantes do poder público, empresas, investidores e organizações sociais para discutir como transformar a potência criativa dos territórios em desenvolvimento econômico, social e ambiental
A necessidade de ampliar a articulação entre instituições, aproximar investidores e empreendedores, fortalecer as políticas públicas e valorizar as soluções desenvolvidas nos próprios territórios marcou os debates do 10º Seminário de Investimentos e Negócios de Impacto, realizado no dia 30 de outubro, no Sebrae Lab, no Rio de Janeiro. Com 70 participantes presenciais e 306 visualizações nas transmissões pelo YouTube, que somaram mais de 82 horas de exibição, o encontro destacou que o desafio do ecossistema fluminense já não é apenas estimular o surgimento de novas iniciativas, mas criar condições para que elas se conectem, conquistem escala e produzam resultados duradouros.
Promovido pelo Movimento Rio de Impacto e pelo Observatório dos Negócios de Impacto Social e Ambiental, com apoio do Sebrae Rio e da FAPERJ, o seminário teve como tema “Soft Power Territorial: quando soluções criativas transformam impacto em desenvolvimento”. A escolha partiu do reconhecimento de que o Rio de Janeiro reúne ativos econômicos e simbólicos de grande valor, como cultura, criatividade, memória, conhecimento, tecnologia e saberes locais, que podem impulsionar negócios e gerar oportunidades. Entretanto, transformar esse patrimônio em desenvolvimento exige investimentos, políticas públicas, acesso a mercados e mecanismos de cooperação capazes de distribuir os benefícios econômicos e sociais pelos territórios.
Ao celebrar a trajetória de dez edições, a coordenadora do Movimento Rio de Impacto, Geiza Rocha, relembrou o papel pioneiro do Sebrae Rio na mobilização do ecossistema e os avanços institucionais conquistados desde 2016. Entre eles, a aprovação da Lei Estadual nº 8.571/2019, que instituiu a Política Estadual de Investimentos e Negócios de Impacto, sua regulamentação em 2025 e a instalação do Comitê Estadual em 2026. Para ela, essa trajetória inaugura uma nova etapa: “O desafio já não é mais apenas fazer o ecossistema crescer, é fazer com que ele se conecte e avance junto”. A consolidação da governança estadual e a transformação das diretrizes da política em instrumentos efetivos de apoio aos empreendedores estiveram entre as prioridades discutidas.
A articulação entre sociedade civil e poder público também ganhou destaque na palestra de Aron Belinky, representante do Grupo de Articulação Pró-Impacto (GAS), que apresentou a evolução da agenda nacional e a importância da participação social para sua continuidade. O debate sobre o ecossistema fluminense reuniu representantes dos governos estadual e municipal, do CIEDS, do Fundo Vale, do BNDES Garagem e da academia. Entre os desafios apontados estiveram a fragmentação das iniciativas, as dificuldades de acesso ao financiamento, a necessidade de maior coordenação entre programas e instituições e a importância de tornar os instrumentos de apoio mais acessíveis aos diferentes perfis de empreendedores.
Representantes dos governos estadual e municipal, do CIEDS, do Fundo Vale, do BNDES Garagem e da academia abordaram importância da integração e coordenação de esforços
As experiências apresentadas nas mesas sobre criatividade, identidade territorial e soluções regenerativas demonstraram como atividades ligadas à agroecologia, moda, audiovisual, turismo comunitário, economia circular e tecnologias sociais podem combinar geração de renda e transformação socioambiental. Iniciativas como Raízes do Campo, Ateliê Betto Gomes, Academia de Cinema da Rocinha, Instituto Aupaba e Grupo Repense evidenciaram o potencial de negócios que valorizam conhecimentos locais, promovem inclusão produtiva e criam novas possibilidades de mercado. Os debates também reforçaram que as comunidades precisam participar da concepção das soluções e não apenas receber projetos formulados externamente.
Essa perspectiva foi sintetizada por Osvaldo Eugenio, que atua em projetos de inovação, cultura e tecnologia, ao defender o reconhecimento da inteligência produzida nas próprias comunidades: “O território não é só o lugar onde o impacto acontece, é nele que nasce a inteligência de produzir o real impacto.”
A discussão encontrou eco na fala de Juliana Oliveira, coordenadora de Comunidades do Sebrae Rio, que destacou a necessidade de adaptar programas, processos de contratação e instrumentos de capacitação à realidade dos pequenos empreendedores. Para ela, a distância entre quem oferece recursos e quem precisa deles continua sendo um dos principais obstáculos ao desenvolvimento dos negócios de impacto.
O potencial da economia criativa fluminense como vetor de desenvolvimento foi aprofundado na mesa dedicada ao soft power territorial. João Luiz de Figueiredo, professor e pesquisador da ESPM-Rio e da PUC-Rio, apresentou os fundamentos econômicos e territoriais dessa relação, destacando que a criatividade, embora seja uma vocação do estado, precisa estar associada a condições estruturais, investimentos e políticas públicas para gerar desenvolvimento. Essa perspectiva ganhou uma dimensão prática com Julia Zardo, consultora da Casa Firjan, que apresentou o Mapa do Soft Power do Rio de Janeiro, metodologia voltada à identificação e valorização dos ativos culturais, criativos e econômicos dos territórios. Julia também ressaltou a importância de construir uma narrativa compartilhada de futuro, na qual a população local reconheça os benefícios desse desenvolvimento. Inessa Salomão, coordenadora do Observatório dos Negócios de Impacto, conectou as duas abordagens à economia de impacto, defendendo uma estratégia coletiva capaz de transformar potencialidades territoriais em resultados econômicos, sociais e ambientais. Para ela, o ecossistema funciona como uma constelação de atores, sem uma única instituição no centro, cuja força está na articulação de iniciativas, recursos e competências em torno de objetivos comuns.
No encerramento do evento, Carla Panisset, do Sebrae Rio, propôs pactuar prioridades comuns sem perder a diversidade que enriquece o ecossistema
No encerramento, Carla Teixeira Panisset, gerente de Empreendedorismo Social do Sebrae Rio, propôs uma reflexão sobre os rumos do movimento diante da ampliação do conceito de economia de impacto, que hoje reúne desde negócios comunitários e iniciativas de economia solidária até startups e grandes empresas. Para orientar essa nova etapa, destacou três dimensões: potências, pendências e essência. A primeira diz respeito aos ativos e às oportunidades do Rio de Janeiro; a segunda, aos obstáculos que ainda limitam seu desenvolvimento; e a terceira, à capacidade de mobilização e cooperação que deu origem ao movimento. A reflexão reforçou a necessidade de estabelecer prioridades comuns sem perder a diversidade que caracteriza o ecossistema.
Como encaminhamento, o Movimento Rio de Impacto sinalizou a intenção de construir uma agenda de encontros periódicos, possivelmente bimestrais, para aprofundar as discussões, identificar oportunidades de colaboração e levar propostas ao Comitê Estadual de Investimentos e Negócios de Impacto. A iniciativa busca dar continuidade ao diálogo entre empreendedores, investidores, organizações e poder público, transformando as reflexões do seminário em ações coordenadas. Após dez edições, a principal mensagem do encontro foi a de que o futuro dos negócios de impacto no Rio de Janeiro depende menos da multiplicação de iniciativas isoladas e mais da capacidade de conectar competências, recursos e territórios em torno de objetivos compartilhados.
Para assistir a íntegra do evento basta acessar:
Link da manhã do evento: https://youtube.com/live/ad1dYw86J70
Link da tarde do evento: https://youtube.com/live/Jmw2YuNm2KE