Rio de Impacto reúne ecossistema no FITS e aponta caminhos para fortalecer a agenda no estado
Publicado em 26/09/2026
Encontro reuniu governo, instituições dinamizadoras, academia e organizações do ecossistema e colocou no centro do debate a construção de políticas permanentes, a trajetória dos negócios e a conexão entre iniciativas que já existem no Rio de Janeiro.
Transformar iniciativas dispersas em uma agenda estruturada de Estado, conectar melhor os atores do ecossistema e acompanhar o que acontece com os negócios depois dos programas de formação e aceleração. Esses foram alguns dos principais desafios apontados na reunião do Movimento Rio de Impacto, realizada em 17 de setembro, paralelamente ao Fórum Global de Inovação, Tecnologia e Sustentabilidade (FITS), no Sebrae.
O encontro reuniu representantes do poder público, Sebrae, universidades, aceleradoras e organizações dinamizadoras e evidenciou uma percepção comum: o Rio de Janeiro já possui atores, programas, conhecimento e instrumentos relacionados à economia de impacto, mas ainda precisa conectá-los e transformar experiências pontuais em uma política capaz de atravessar governos.
Para Geiza Rocha, coordenadora do Movimento Rio de Impacto, o momento é especialmente importante pela estruturação do Comitê Estadual de Negócios de Impacto (CENI) e pela possibilidade de aproximar quem formula políticas de quem atua diretamente com empreendedores e territórios.
“É sempre muito importante que o sistema se veja. A possibilidade de a gente ter um canal aberto com o governo do Estado e um olhar mais estruturado é gigantesca.”
Do edital à política de Estado
Representando a área de diversificação produtiva e sustentabilidade do Governo do Estado, Fabrício Almeida relacionou a economia de impacto a desafios estruturais do Rio de Janeiro, como a concentração produtiva e territorial, e destacou a necessidade de institucionalizar a agenda.
“O documento de adesão ao Simpacto já está aprovado e está na mesa do governador para ser assinado.”
A discussão foi aprofundada por Inessa Salomão, coordenadora do Observatório de Negócios de Impacto, que chamou atenção para a necessidade de compreender instrumentos como PPA, LDO e LOA para identificar onde as prioridades públicas efetivamente se transformam em recursos.
A síntese apareceu em diferentes momentos da reunião: é preciso “sair do varejo” de editais e iniciativas isoladas e construir mecanismos permanentes de fomento, compras públicas e apoio ao setor.
O que acontece depois da aceleração?
Outro tema recorrente foi a necessidade de acompanhar a trajetória dos negócios apoiados. Juliana, coordenadora de Comunidades do Sebrae, lembrou que a instituição atua com negócios de impacto desde 2013 e lançou uma pergunta central:
“Quais são os negócios de impacto que, de fato, no Rio de Janeiro, passaram do vale da morte?”
A provocação dialogou com a experiência apresentada por Karen Franchini, fundadora e diretora-executiva da Gambaté, que desenvolveu uma metodologia de avaliação de impacto e trabalha no Fractus, tecnologia destinada a acompanhar a evolução dos participantes mesmo quando passam por diferentes programas.
“Não é só formar, só mensurar, mas muitas vezes conectar com uma oportunidade de venda.”
A mesma questão aparece no trabalho do BNDES Garagem, apresentado por Abigail Souza, do Quintessa. A comunidade do programa acompanha startups depois da aceleração para identificar se continuam operando, por que algumas encerraram suas atividades e quais necessidades — mercado, investimento ou financiamento — surgiram na etapa seguinte.
“Eles estão ainda no mercado? Morreram? Se morreram, qual foi o motivo? Se estão ainda no ecossistema, qual o desafio atual?”
O debate levou a outra conclusão: mais importante do que construir um mapa estático de programas, que mudam ao longo do tempo, pode ser organizar uma trilha a partir das necessidades do empreendedor em cada estágio do negócio.
Medir impacto sem perder de vista a sustentabilidade do negócio
A mensuração de impacto também mobilizou os participantes. Elaine Borin, professora da Faculdade de Engenharia da UERJ, defendeu indicadores que permitam identificar avanços, erros e correções de rota.
“A gente precisa, de uma forma muito séria, entender onde errou, o que evoluiu, o que precisa melhorar. E quem vai falar isso para a gente são os indicadores.”
Juliana ponderou que o desafio começa antes: muitos empreendimentos sequer conseguem sobreviver tempo suficiente para chegar a uma etapa mais sofisticada de mensuração. Geiza acrescentou que o impacto pretendido e seus indicadores precisam estar presentes desde o desenho do negócio.
As experiências apresentadas pela UERJ na Mangueira mostraram ainda o papel que a academia pode desempenhar na geração de conhecimento, no desenvolvimento de soluções e na conexão entre empresas e territórios.
“A universidade está formando e também pode estar gerando as informações e criando essas pontes”, destacou Geiza.
Um ecossistema com diferentes escalas
A diversidade dos negócios também apareceu como desafio para a política pública. Dayse Valença, da Asplande, trouxe a perspectiva de mulheres e pequenos empreendedores, enquanto Inessa destacou que o ecossistema reúne desde nanoempreendedores até deep techs, com necessidades muito distintas.
Brenda Eloar, do Iniciativa Jovem, reforçou a importância da conexão com outras organizações para ampliar oportunidades de networking e aproximação dos empreendedores com o mercado.
Mapear essa diversidade é justamente uma das atribuições do Observatório de Negócios de Impacto, coordenado por Inessa, com participação de Rafael Barbastefano, professor do Cefet/RJ, responsável pela organização e análise dos dados.
“O grande barato do Observatório é ouvir, entender e devolver informação relevante para o ecossistema”, resumiu Inessa.
A reunião marcou também a retomada dos encontros presenciais do Movimento Rio de Impacto. Para Geiza, fortalecer a circulação de informações entre os participantes será uma das prioridades dessa nova etapa.
“A vida é mais rápida do que a gente consegue capturar. O nosso interesse é justamente fazer essas trocas e dar visibilidade ao que está acontecendo.”
Fique de olho: próximas agendas:
24/09 — Debate sobre empreendedorismo social e mulheres em situação de violência doméstica, no Dolores Club.
Outubro — Abertura de novo ciclo do BNDES Garagem.
03/10 — Rio em Afetos Criativo, da Asplande e Sebrae, no CRAB.
06/10 — Encerramento do Cariocas de Impacto, na Nave do Engenhão.
19 ou 20/10 — Mesa na Semana de Pesquisa e Extensão do Cefet/RJ. Data a confirmar.
21 e 22/10 — Festival Regenera, na PUC-Rio.
30/10 — 10º Seminário de Negócios de Impacto, próxima agenda formal do Movimento Rio de Impacto, no SebraeLAB.
Novembro — Próxima reunião presencial do Comitê Estadual e realização do evento Um Olhar por Cima das Correntes, da Asplande.
16 a 19/11 — Enactus World Cup, em São Paulo.
Primeira semana de dezembro — Semana de Iniciação Científica da UERJ.