Rio de Impacto leva ao Green Soul 26 debate sobre financiamento da regeneração
Publicado em 31/07/2026
Articulação entre Estado, mercado e sociedade civil ganha destaque em discussão sobre negócios de impacto socioambiental e transformação nos territórios.
O Movimento Rio de Impacto marcou presença no Green Soul 26, festival carioca dedicado a debater regeneração climática e justiça social, com a participação de Geiza Rocha, coordenadora da iniciativa, e Ruth Espínola, da PUC-Rio, membro do movimento em um dos painéis centrais do evento. A fala das duas se somou a uma programação que reuniu lideranças indígenas e quilombolas, empreendedoras negras, gestoras públicas e startups de impacto, todos convocados a responder uma mesma pergunta: como financiar, na prática, as soluções que já existem nos territórios?
Realizado na cidade do Rio de Janeiro, o Green Soul teve apoio da Prefeitura do Rio, da Secretaria Municipal de Cultura, da Semob, da Visit Rio, da Engine Six Consulting e da Sitawi Finanças, e propôs uma transformação cultural baseada na escuta e na colaboração, partindo da premissa de que as respostas para a crise climática e para as desigualdades sociais já estão presentes em territórios indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e periferias.
Uma década de articulação entre Estado, mercado e sociedade civil
Criado em 2014 pelo Sebrae, o Rio de Impacto reúne instituições dinamizadoras de negócios de impacto socioambiental — entre elas o próprio Sebrae, a PUC-Rio, Sitawi, Asplande e Cefet — em um modelo de coordenação sem CNPJ próprio, sustentado pela atuação conjunta de seus participantes. Foi esse arranjo, explicou Geiza Rocha, que viabilizou a aprovação, em 2019, da Política Estadual de Investimentos e Negócios de Impacto do Rio de Janeiro, tornando o estado o segundo do país a ter legislação própria sobre o tema — um processo que, segundo ela, levou apenas três meses entre a apresentação do projeto de lei e sua aprovação na Assembleia Legislativa.
Também sob articulação do movimento nasceu o Observatório dos Negócios de Impacto, criado a partir de edital da FAPERJ e hoje usado para dar visibilidade a empreendedores e subsidiar políticas públicas. Depois de anos de espera, o comitê estadual previsto na política de 2019 foi regulamentado no ano passado e instalado neste ano, consolidando um espaço formal de diálogo entre Estado e instituições do ecossistema de impacto.
Financiar pessoas, redes e territórios
Ao tratar do financiamento da regeneração, Geiza Rocha defendeu que o olhar não pode se limitar ao empreendimento individual: "quando a gente fala de regeneração, o foco é em financiar pessoas, redes e territórios". Para ela, a pergunta central é como conectar esses empreendimentos a espaços de visibilidade perante o governo e a sociedade? — especialmente em um momento de retração de recursos internacionais destinados à agenda da regeneração.
Diante desse cenário, a coordenadora do Rio de Impacto apontou a força da articulação em rede como estratégia de resiliência: "não ignorar que a rede tem poder".
Regeneração em múltiplas frentes
A fala de Rio de Impacto dialogou com outros casos apresentados ao longo do Green Soul. A startup Spraya, apresentada por Angélica, usa inteligência artificial para combater o racismo estrutural no varejo brasileiro. O programa Mutirão Reflorestamento, da Secretaria de Meio Ambiente do Rio, com 40 anos de história, já plantou mais de 6,5 milhões de mudas entre 2014 e 2026 e criou a frente "Mutirão Delas" para inclusão de mulheres no reflorestamento. Lideranças como Ricardo Ajukikaba Tupinambá, Rosane Cage e Vanessa, do Quilombo do Feital, trouxeram ao palco tecnologias ancestrais de manejo territorial e enfrentamento ao racismo ambiental na Baixada Fluminense.
O encerramento do painel que reuniu o Rio de Impacto resumiu o desafio comum a todas essas iniciativas: sem financiamento — a "seiva", na metáfora usada pela mediação —, startups, movimentos e políticas públicas permanecem apenas ideias. O desafio que fica, apontou a mediação, é garantir que os recursos cheguem de fato à ponta, onde a transformação acontece.